Trirrienses promovem ações de suporte a grupos afetados pela quarentena



Preocupados com a vulnerabilidade de alguns grupos em meio à pandemia de Covid-19, cidadãos de Três Rios estão se organizando para oferecer suporte à comunidade local. Organizações sociais, como coletivos e igrejas, têm desempenhado um trabalho importante de amparo a pessoas em situação de rua e famílias de baixa renda.


Como consequência das mudanças provocadas pelo isolamento social, iniciado em março, diversos serviços tiveram suas atividades paralisadas. Em razão disso, algumas classes ficaram à mercê de medidas advindas do Governo Federal, como é o caso dos trabalhadores informais e autônomos.


A liberação dos auxílios governamentais, contudo, é um processo burocrático, que depende de tramitação em distintos setores políticos e, portanto, leva considerável tempo para ser efetivada. Na contramão, os recursos básicos nos lares brasileiros, como alimentos e materiais de higiene, acabam rapidamente, e nem sempre podem ser repostos com facilidade.


Esse motivo fez com que Cristiane Carvalho, líder na Igreja Batista Projeto Ramah, intensificasse os trabalhos de ação social da instituição. A igreja, que já desenvolve ações do tipo, passou a receber mais doações do que o comum em razão de uma campanha feita nas redes sociais no período da quarentena.


“O movimento não é grande, mas, graças a Deus, deu para ajudar bastantes famílias esse mês. Justamente quando pensamos que não teríamos doações, em razão de a igreja estar fechada, foi o período em que mais conseguimos ajudar”, comentou Cristiane.


A pastora, que costuma direcionar cestas básicas para comunidades periféricas da cidade, entregou, também, nas últimas semanas, doações para um abrigo de vulneráveis na Avenida do Contorno.


O abrigo funciona nas dependências da Igreja Unção Divina, e foi criado para amparar as pessoas em situação de rua no período de quarentena. O galpão foi aberto no dia 20 de março e, desde então, vem recebendo doações de colchões, alimentos e material de higiene pessoal, usadas na manutenção do trabalho.


Brainer Massi, idealizador do projeto, teve a ideia a partir de um questionamento. “Quando começou a pandemia e ouvi sobre o isolamento, lamentei sobre ficar em casa, trancado. Logo depois, me questionei: ‘E quem não tem casa, vai ficar onde?’”, contou o pastor. Dias depois, Brainer inaugurou o abrigo.


A prefeitura, contatada pelo pastor no início do projeto, passou a oferecer suporte através da Secretaria de Promoção Social, que disponibilizou alimentos e materiais como álcool em gel e máscaras, além de ministrar palestras de sensibilização e jogos recreativos para o espaço.


Brainer destaca também o serviço da sociedade, indispensável na manutenção do abrigo. “As pessoas têm ajudado muito com doações. Já recebemos alimentos, peças de roupas...”, comenta.


O líder, no entanto, esclarece que ainda há desafios no projeto. O galpão da igreja, utilizado como abrigo, é alugado. Como as reuniões não estão sendo realizadas, a administração da igreja registrou uma queda nas contribuições e, consequentemente, está com dificuldades no pagamento do aluguel do espaço, que abriga, atualmente, 15 pessoas.


Além de resguardar a saúde, o projeto resgata a dignidade dos abrigados. Entretanto, só as contribuições podem garantir a continuidade do abrigo. “O projeto tem sido um garimpo, e é lindo o trabalho feito ali. Pessoas rejeitadas e sem perspectivas estão tendo esperança novamente. Faço um apelo à sociedade: ajude a gente a custear o aluguel e manter o abrigo”, comenta Brainer.


Em Três Rios, há ainda há outros projetos sociais. O Grupo Conecte-se, por exemplo, composto por jovens atuantes em ações voluntárias, tem desenvolvido um trabalho eficiente no período de isolamento.


O grupo, que já atua há três anos, distribui quentinhas, cestas básicas, material de higiene pessoal e medicação para indivíduos e famílias de baixa renda, tudo proveniente de doações.

“Para quem não acredita, essa é a realidade de várias famílias trirrienses. São pessoas que precisam ser enxergadas. Eu gostaria que essas fotos fossem muito compartilhadas, pois ainda há pessoas que rejeitam essa realidade em Três Rios”, escreveu Gabriel Barbosa, um dos participantes do projeto, ao postar imagens das ações em uma rede social.


Fonte: Entrerios Jornal

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