Peça Alice mandou um Beijo é gravada em formato curta-metragem

Roteirizado por Rodrigo Portella, o curta foi gravado em Três Rios com parte do elenco de atores locais


A premiada peça teatral “Alice mandou um Beijo”, do premiado autor, roteirista e diretor trirriense Rodrigo Portella, está sendo produzida no formato o curta-metragem. A peça já foi indicada a grandes premiações como Cesgranrio e Botequim Cultural de Melhor Texto Inédito. O projeto para a produção do curta foi contemplado pelo edital da Lei Aldir Blanc de auxílio emergencial aos fazedores da Cultura do Estado do Rio de Janeiro.

Rodrigo Portella, nascido e criado no município de Três Rios, traz na peça, que se baseia o curta-metragem, um resgate de suas memórias de infância.

Quando a narrativa começa, Alice está morta. Em meio a isso, uma família se vê diante de uma inesperada instabilidade na convivência familiar. A ausência de Alice acaba por disparar uma série de acontecimentos que revelam a fragilidade das relações que se estabeleceram durante toda uma vida dentro da mesma casa. Era Alice quem dava sentido à vida em comum. Era ela quem sustentava a casa. Diante da morte, as relações se desequilibram, se revelam estranhas e até mesmo impossíveis.

“Na prática o objetivo é fazer um filme espetáculo. Temos a mídia do audiovisual, mas o curta tem uma pegada mais teatral. A ideia é que assim como a peça o curta permaneça sem falas, contudo ainda com os diálogos gesticulados”, ressalta Rodrigo.

Os ensaios já começaram e o início das gravações será nesta quarta-feira (10). A casa onde está sendo produzido o curta é um mistério, apenas uma foto foi revelada.

O discurso poético-narrativo de “Alice mandou um Beijo” tem como tema principal o desgaste de uma sociedade fincada no patriarcado, a falência do modelo vigente e a necessidade tardia de revisão dos papéis e da libertação dos corpos. São quatro mulheres, de gerações diferentes, revendo suas mitologias, curando velhas feridas e reinventando suas histórias. Enquanto os três homens se encontram diante do impasse, da desorientação e do fracasso. O pai é o próprio fracasso. Osvaldo se vê completamente perdido após a morte da mulher: sem família, sem dinheiro, nem planos. Mas é o filho autista, que do auge do seu delírio/defeito, descobre no feminino uma possibilidade de felicidade.

Personagens

  • Pai: 70 anos de idade. Viúvo. Militar reformado. Começa o filme de farda. Ele era apaixonado pela Alice. Uma paixão patológica. Após a morte da filha. Ele vai se transformando aos poucos numa mobília. A senilidade é uma conveniência, ora escudo, ora arma. É rancoroso com Oneida, a caçula. Amado por Jandira, a mais velha. Ignorado pelo neto Robério. Bem tratado pelo cunhado, mas ele o odeia por ter casado com Alice e ido morar em sua casa. Será interpretado pelo trirriense Guará.

  • Osvaldinho: Viúvo da Alice. 40 anos de idade. Guardião das memórias da falecida. Tem embates com a família quando eles invadem o “acervo” de Alice. É o único que consegue se comunicar com o Robério após a morte dela. É afetuoso com ele. Quer vender a casa, pegar sua parte e ir embora dali. Acha que a casa é dele também. Tem dó de Jandira. Tem medo e tesão por Oneida. É um pé-de-chinelo, preguiçoso, fanfarrão, quase infantil. Não tem trabalho, nem pra onde ir. Será interpretado pelo carioca, Ricardo Gonçalves.

  • Jandira: Filha mais velha. 40 anos. Mãe de Robério. É ela quem cuida de tudo na casa. Cuida do pai senil, da comida, da limpeza e do filho, a quem ela dedica inabilmente a maior parte do seu tempo. Ela sempre se sentiu atraída por Osvaldinho, mas nunca compreendeu muito bem. Ela está exausta. Ela se diverte com Oneida. Jandira esconde de todos o segredo da irmã mais nova. Será interpretada pela trirriense Marianne Mockdece.

  • Alice: Filha do meio. 30 anos. Tratada pela família como uma santa. Católica, mas sem amarras. Muito generosa, leal e sensual numa medida “aceitável” pela família. Dizem que tinha bom gosto e era muito independente. Trabalhava numa loja de roupas e perfumes. Se vestia bem. Era disciplinada, mas sem exageros. Era ela quem pagava as contas da casa. Era a paixão dos homens da família. Ela descobriu um câncer no ovário e morreu pouco tempo depois. Ela chegou a fazer quimioterapia. Usava perucas. Tinha muitos sonhos e adorava carnaval. Ninguém a interpretará.

  • Oneida: Filha caçula. 20 anos. Vive folgadamente pela casa. Ninguém sabe que ela trabalha numa boate, às madrugadas. Ela prega peças no Robério. Mente muito. Tem o dinheiro dela, mas não compartilha com ninguém. Não compra um pãozinho. Ela tem dinheiro guardado em um baú no quarto, no meio de uma coleção de calcinhas, lingeries e objetos de recreação sexual, mas isso não a define. Jandira sabe. Oneida despreza Osvaldo e quer se empoderar diante do pai. Será interpretada por Milla, do Rio de Janeiro.

  • Robério: Rapaz de 17 anos, com traços fortes de autismo. A doença é uma espécie de permissão para a liberdade. Robério é livre. Gosta de tirar fotos e desenhar com giz pela casa. Ele não se relaciona com as pessoas da casa a não ser com Osvaldinho. Ele substitui afetivamente Alice por Osvaldinho ao longo da história. Ele é observador e muito sensível. Será interpretado pelo trirriense Luan.

Ficha técnica:

  • Roteirista, Diretor Artístico e de Produção: Rodrigo Portella

  • Assistente de Direção: Maria Clara El-Bainy

  • Produtora Executiva: Andrea Phebo

  • Direção de Arte: Julia Decache

  • Diretor de Fotografia: José Lemongi

  • Direção Coreográfica: Marianne Mockdece

  • Diretor Musical: Marcello H

Elenco:

  • Luan Vieira

  • Milla Fernandez

  • Marianne Mockdece

  • Guaracenir Bravo

  • Ricardo Gonçalves

Elenco de apoio (Atores de Três Rios):

  • Manoel Neto

  • Ed Freire

  • Rosa Maria

  • Jussara Lima

  • Emerson

“Queremos fazer um agradecimento especial a Secretaria de Cultura da nossa cidade pelo apoio. Nos créditos do filme, faremos os agradecimentos especiais aos apoiadores”, ressalta a produtora executiva do curta, Andrea Phebo.

Biografia de Rodrigo

Diretor de teatro e cinema, iluminador, dramaturgo e produtor. Formado em Direção Teatral pela UNIRIO, Rodrigo possui diferentes experiências em sua trajetória. Em 2010, fundou a Cia Cortejo, de Três Rios, foi gestor do Ponto de Cultura Teatro Aberto - criado no mesmo ano para dinamizar o Teatro Celso Peçanha - e coordenador do projeto Educacine, onde alunos da rede municipal aprendem a realizar filmes de curta-metragem.

Portella já dirigiu cerca de 30 espetáculos, junto a Cia Cortejo ou outras companhias, entre eles “Incidências”, “Que História Espera Seu Fim Lá Embaixo”, “A Fábula da Casa das Mulheres Sem Homens”, “Uma História Oficial”, “Antes da Chuva”, “Alice Mandou um Beijo”, “Tom na Fazenda”. No cinema, seu principal trabalho foi o curta-metragem BNH, vencedor de 5 festivais nacionais.

Com um dos diretores mais indicados a prêmios, Rodrigo Portella e seus trabalhos somam mais de 160 prêmios em festivais brasileiros e estrangeiros. A primeira peça da Cia. Cortejo, “Uma História Oficial”, por exemplo, concorreu ao Prêmio Shell na categoria Melhor Direção. Para Portella, “a indicação é um selo de qualidade para as companhias pequenas”, contrariando o senso comum de que o sucesso vem unicamente das capitais.



Fonte: EntreRios Jornal

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