Com coronavírus, indústrias do Centro-Sul Fluminense registram queda na atividade produtiva

Estudo da Firjan revela que expectativa quanto ao futuro dos negócios na indústria da região recuou ao menor resultado da série histórica em 2010


A Sondagem Industrial divulgada nesta quinta-feira (7) pela Firjan revela que as indústrias do Centro-Sul Fluminense fecharam o primeiro trimestre de 2020 com queda na produção, atingindo 40,3 pontos. O resultado se deve principalmente pelo avanço da pandemia de coronavírus e a redução das atividades nas empresas, que provocou a queda de 11,3 pontos na produção em relação aos últimos três meses do ano passado. Com isso, a demanda por produtos foi atendida pelos estoques (42,3 pontos).

Por conta da retração no volume produtivo, as indústrias registraram ociosidade: as operações utilizaram pouco mais da metade (57,3%) da capacidade total. Vale lembrar que a taxa de Utilização da Capacidade Instalada alcançou 63% no último trimestre do ano anterior, maior resultado desde 2018, quando o país ainda se recuperava de recessão.

Segundo a analista de Estudos Econômicos da Firjan, Carolina Neder, o avanço da pandemia do coronavírus impôs uma situação diferente do que as já vividas pela indústria nacional em outras crises, o que justifica a queda nos resultados. “A indústria do Centro-Sul vinha em trajetória de crescimento, assim como em outras regiões do Estado do Rio, mas foi forçada a uma redução produtiva abrupta. Em alguns locais a indústria seguiu trabalhando em ritmo muito lento. Já em outros municípios a paralisação foi total, exceto para negócios de primeira necessidade”, explica Carolina.

Diante das dificuldades impostas pela disseminação do vírus, os empresários se viram em situação delicada quanto ao cenário financeiro de suas empresas (36,3), o que levou ao mesmo nível de 2018 com margem de lucro baixa (29,8) e dificuldade de acesso ao crédito (26,3), ainda mais evidente no momento atual com redução de 16,7 pontos.

A pesquisa também mostra a incerteza dos empresários sobre o futuro. O otimismo registrado no fim de 2019 deu espaço há grandes dúvidas sobre o andamento da economia nos próximos meses, já que não há perspectiva de demanda por produtos tanto no mercado interno quanto no exterior. Assim, a demanda por produtos industriais (30,6) apresentou queda de 28,3 pontos, reduzindo a expectativa da compra de matéria-prima (31,5) e contratação de empregados (34,7 pontos) — os resultados são os menores desde o início da série histórica em 2010.

Além disso, a indústria da região também reduziu suas expectativas quanto as exportações (35,0) e a realização de novos investimentos (28,2 pontos), que também recuaram ao seu menor nível. A Sondagem Industrial foi realizada com empresas dos municípios de Areal, Comendador Levy Gasparian, Miguel Pereira, Paraíba do Sul, Paty do Alferes, São José do Vale do Rio Preto, Sapucaia e Três Rios.






Fonte: Firjan

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